terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O que se é e o que se tem

Helena Tannure escreve pra você....


Quando assistimos a TV, ouvimos o rádio, lemos os jornais, folheamos, descomprometidos, uma revista ou nos deparamos com outdoors espalhados pela cidade, acabamos por acreditar que precisamos de algo. Uma roupa elegante, um sapato especial para os dias de chuva, uma geladeira maior, uma TV de plasma, um DVD de última geração. Na verdade, a mídia nos convence que temos necessidades que na realidade não existem. Eu não preciso de uma casa maior nem de um carro fantástico para ser feliz.

Conheço pessoas extremamente frustradas porque se preocupam todo o tempo em “ter”. Tornaram-se tão obcecadas por aquilo que os outros têm que não sabem mais expressar gratidão por aquilo que Deus concedeu a elas. O que elas têm nunca é suficiente.

Nos nossos dias as pessoas são julgadas por suas roupas, seus diplomas, seus bens, sua posição. Investimos nosso tempo, nossos esforços e talentos em adquirir. Queremos “vencer na vida”, o que normalmente, aos olhos humanos, significa estabilidade financeira, títulos, status social. Não que seja errado querer adquirir tudo isso, o errado é a inversão de valores. As coisas passaram a ter mais valor que as pessoas. Ninguém se preocupa com o que as pessoas são, mas muitos são seduzidos pelo que as pessoas têm.

Recentemente, saía de um casamento com um grupo de pessoas quando fomos abordados por um mendigo. Sujo e maltrapilho, ele queria algo para comer. Que surpresa triste eu tive quando percebi que ninguém do grupo sequer olhava para o homem enquanto ele falava. Eu parei, olhei para aqueles olhos negros ofuscados pela grande barba e cabelos desgrenhados e pensei: um dia, apesar da minha ignorância e miséria espiritual, o Senhor olhou em meus olhos e ouviu o meu clamor. Que sou eu para dar as costas a alguém? Em minha bolsa não havia nem moedas que pudessem comprar um pãozinho para aquele homem, mas eu podia parar e ouvi-lo.

Olhamos boquiabertos para um lindo carro, tecemos comentários sobre a bela casa de alguém, nos encantamos com a tecnologia avançada dos nossos dias, prestamos tanta atenção às coisas, mas ignoramos as pessoas. Aquele moço que nos abordou, não era um boneco, ele era uma pessoa com uma vida, uma história, com sonhos, medos e frustrações - uma pessoa como eu e você.

A inversão de valores chegou às raias da loucura. Mães espancam filhos porque o tapete foi manchado ou as paredes rabiscadas. Casamentos são desfeitos porque a esposa passou a ganhar mais dinheiro que o marido. O poder de comprar, de adquirir, de realizar subiu à cabeça e muitos se perdem em meio à insanidade disfarçada de prosperidade. Parece que nos esquecemos que tudo que adquirimos no plano material é passageiro, é falível.

O Senhor Jesus não tinha onde reclinar a cabeça; Ele abriu mão de Seu poder, Sua majestade, Seu conforto e Sua glória. “Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz.” Filipenses 2:7-8

Jesus é o maior exemplo de quem considerou o “ser” e não o “ter”. Ele amou mais os homens que a Sua glória, e nós recebemos o Seu sacrifício, purificamo-nos em Seu sangue e miseravelmente continuamos levando a nossa vidinha medíocre, preocupados em ter e em fazer, esquecendo-nos que o plano de redenção continua através das nossas vidas, quando somos instrumentos de amor, solidariedade e respeito. Somos desafiados a ser os braços do Senhor aqui na terra, resgatando o que está perdido, consolando o que está abatido, abraçando o que foi rejeitado. Ter o que se deseja é muito bom, mas ser o que o Senhor quer que sejamos, é a excelência.

Helena Tannure

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