
Vida de teólogo da prosperidade é uma chatice só. Esse indivíduo tem de ficar vasculhando a Bíblia de ponta a ponta para pegar textos que o convém – que na maioria são textos sem algum contexto puramente por pretexto – e arremessar em cima dos fieis para justificar toda desesperada petição de dízimos, trízimos, oferta especial, oferta trimestral, oferta plus, enfim, oferta para tudo.
Para os amantes do dinheiro e que negociam a fé, o barato é inventar doutrinas baratas e chulas para tornar o povo ainda mais sensibilizado – ou seria constrangido? – a dar o que não tem mais. Para um grande empreendimento, que envolva muito dinheiro, escolhem passagens que envolvam grande número de pessoas e as associam aos seus seguidores para obter dinheiro. O exercito de Judá que conduzia o tabernáculo é um bom exemplo. Os dois espias que voltaram otimistas de Jericó, ou até mesmo os dozes discípulos escolhidos por Jesus seria uma tremenda falta de propósito, devem concluir. Nessa altura do campeonato, dá-se por imposição e não com alegria, como manda as Escrituras.
Esses vendilhões do templo corrompem a linha de ouro da Bíblia, que é a história da nossa redenção, e a transformam em um ponto de vista extremamente econômico, capitalista. As Escrituras, que são completamente Cristocêntricas, em suas mãos, tornam-se centrada no dinheiro. Tudo é pretexto para dinheiro. O Jesus sofredor, humilde, bondoso, amoroso, gracioso e servo, sob a ótica desses mercenários, é completamente desconhecido e impossível de ser percebido. A nossa aliança sendo plenamente restabelecida com a morte e ressurreição de Cristo, os tipos dela no Antigo Testamento, Deus se deixando conhecer até ter sua glória e majestade totalmente revelada na pessoa de Jesus é coisa para teólogo ortodoxo e fora da realidade do século XXI.
A igreja nas mãos de pessoas assim é uma espécie de empresa que oferece serviços emocionais, sentimentais, financeiros o que for agradável ao cliente – isso mesmo, membro é coisa do passado – ou associado. Regeneração, renúncia, separação do sistema regido por satanás, conformação com os ensinamentos da Bíblia, nada disso é necessário porque o importante é dar para receber. Tem que plantar para colher. A fé se resume a isso. Numa sociedade em desenvolvimento, desesperada por prosperidade, como Brasil, México e países da África e Ásia, enganada pela doutrina do “ter”, essas mensagens encaixam-se como uma luva.
Sabe quando é complicado ser teólogo da prosperidade? Quando o povo acorda. Quando o Espírito Santo o convence de que o melhor presente e as maiores riquezas estão todas reunidas em Cristo. Quando ele vê que só ter Jesus é suficiente, mesmo que isso custe o luxo, o conforto, a segurança financeira e profissional. Nessas pessoas, a luz de Cristo irradia e revela-lhes a ruína que se encontram e o remédio que só há em uma vida submetida e entregue ao Filho de Deus. Então, o dinheiro é destronado e Jesus empossado para sempre como o Senhor de suas vidas e elas passam a entender que a nossa grana – perdoe-me a informalidade – é para serviço e desenvolvimento do Reino e não construção de templos, aquisição de aviões particulares e manutenção de seus próprios prazeres (tanto dos falsos messias, quanto de si mesmo).
Quando essa bendita obra acontece, o sistema quebra na raiz. Isso porque todo ele é construído em cima do dinheiro e não na fé e confiança no Deus vivo que abre mar, mexe com o sistema solar, que acalma tempestade e ressuscita morto. A partir daí, a arrecadação diminui, as dívidas apertam. Como as novas doutrinas não dão conta de enganar mais bobos, o pretenso ministério começa a ruir. Então, penso aqui comigo, como deve ser difícil e humilhante a vida de um teólogo da prosperidade. Ele se submete a, desesperadamente, implorar por doações a todo custo e argumento (isso é fruto de algumas observações na TV e por onde eu moro).
Bom, essa obra ainda é um caso hipotético, pois temos ainda muitas pessoas cegas e iludidas com essa doutrina diabólica que ganha cada vez mais espaço no Brasil. Mas um genuíno avivamento que varra os quatro cantos do nosso país, gerando fome e sede pela Palavra, um amor pelo Jesus da Bíblia, amor ao próximo e desejo por sua vinda é mais do que suficiente para erradicar esse câncer das nossas igrejas. Então, ore por esse autêntico mover do Espírito para que, quem sabe um dia, esses teólogos tenham o desprazer de subir em seus altares e se depararem com seus redutos às traças e suas vidas ainda mais complicadas.
::Tiago Lino Henriques
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Colaborador do portal Lagoinha.com
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